Comunicação Positiva

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A habilidade de se comunicar  bem é cada vez mais exigida pelas empresas como uma das competências essenciais, não só para ser contratado, mas também para permanecer no posto. E quando se fala de comunicação não é apenas aquele processo simples que se aprende na escola, em que um emissor passa uma mensagem por um determinado canal e que chega até o seu provável receptor.  Além de ser bom de papo, o profissional precisa dominar a comunicação positiva. 
Mas como se fazer compreender e ser compreendido no ambiente de trabalho?  É justamente esse ponto que a Comunicação Positiva se propõe a desenvolver, como explica a coach na área de gestão de conflitos e análise de riscos Thaiza Vitória, que ministra cursos sobre o tema, também autora do livro Coaching para Advogados e Comunicação Positiva, Thaiza também é professora da Escola Superior de Advocacia da OAB-BA e do Instituto Brasileiro de Direito. Para a especialista, a base da comunicação positiva é não praticar julgamentos.
Quando você começa a praticar a observação sem julgamentos e estrutura melhor pedidos e perguntas, naturalmente irá se comunicar de maneira mais assertiva”, assegura. Thaiza conversou com o CORREIO sobre como melhorar sua comunicação com o outro. Confira.

O que você chama de comunicação positiva e como ela pode alavancar a carreira do profissional? 

A comunicação positiva é um modo de expressão que nos permite emitir mensagens honestas e objetivas, sem desconsiderarmos o ponto de vista e a necessidade do outro.  Situações como a crítica entre os colegas, o individualismo proveniente dos ruídos em equipe, a desagregação através de fofocas, a depreciação da figura do cliente e a insegurança no posicionamento da fala são só alguns problemas de comunicação que acabam atrapalhando a carreira do profissional.  É aí que entra a importância de desenvolver sua inteligência emocional e praticar a estrutura de um diálogo positivo.

No ambiente de trabalho, muita gente costuma ‘engolir sapo’ diariamente ou ‘cuspir fogo’ durante uma conversa. Qual a melhor maneira de se fazer compreender e ser compreendido? 

Isso acontece porque, muitas vezes, o que dizemos não é o que realmente queremos dizer, e os conflitos nascem dessa dificuldade de compreender e ser compreendido. A oposição entre as pessoas começa na divergência de interpretação sobre os mesmos fatos, na discordância sobre quem deve resolver os problemas e, por fim, na dificuldade de fazer pedidos e perguntas assertivas. Estamos tão presos à necessidade de agilidade, sempre “na luta” ou “na correria”, que não enxergamos o quanto a nossa comunicação pode ser reativa, ineficiente e muitas vezes violenta. O primeiro passo para praticar a compreensão é treinar a escuta ativa e ouvir com atenção.

À medida que aprendemos a compreender a mensagem que está sendo transmitida, permitimos uma maior sensibilidade e, com isso, estabelecemos uma conexão genuína, evitando conflitos. 

É possível enumerar alguns exercícios que favorecem a comunicação positiva? 

O primeiro deles é observar sem julgar. Quando a observação adiciona um julgamento sem reconhecê-lo, tal como se fosse uma verdade absoluta, reduzimos a nossa compreensão e geramos resistência nas outras pessoas.  Outro exercício é prestar atenção quanto ao momento certo para você expressar a sua opinião. Falar na oportunidade errada pode acabar comprometendo o seu discurso. Também escolha boas palavras. E pratique a objetividade.

Nada mais óbvio na comunicação positiva do que você ir direto ao ponto. Ah, e não esqueça que o corpo fala.  Nossos olhos e gestos também comunicam. Por isso, fique atento à linguagem corporal. 

É possível reformular a maneira de se comunicar? O que o profissional precisa levar em consideração? 

Pouca gente percebe quando pratica uma comunicação negativa a ponto de corrigi-la a tempo de evitar transtornos, mas certamente identifica suas consequências quando tem que administrar os prejuízos. Para reformular a maneira de se comunicar é preciso se conhecer e ter clareza sobre os impactos da fala.

É muito comum ouvirmos: ‘Desculpa, falei sem pensar’. Precisamos levar em consideração os reflexos materiais e emocionais de uma mensagem mal elaborada. 

Qual o perfil do comunicador positivo? 

Uma vez que a pessoa comum fala a um ritmo de 125 a 200 palavras por minuto, e o ouvinte comum consegue compreender até 400 palavras por minuto. O ouvinte ativo trabalha para preencher esse tempo ocioso com suas próprias questões. Quem adota a comunicação positiva escolhe se concentrar no que o orador está dizendo, nos sentimentos colocados na fala e nas possíveis necessidades das entrelinhas do discurso. Essa prática, além de conectar as pessoas, também favorece o trabalho em equipe e relacionamentos de sucesso.  Esse é, então, o comunicador positivo.

Como ganhar alguém ‘no papo’, utilizando as técnicas da  comunicação positiva? De que maneira o profissional pode utilizá-la a seu favor para melhorar sua reputação? 

Uma boa reputação não se constrói em silêncio, nem mesmo fazendo barulho. Para um profissional ter credibilidade dentro da empresa, além de precisar desempenhar com excelência as suas atividades, é necessário se comunicar assertivamente com o máximo de pessoas. Influência é rede.

Por mais que você domine as habilidades de fala, se não utilizá-las, de nada servirá. E, por hora, invista na reciprocidade, que representa a base da influência.

Antes de pensar em receber, observe o que pode doar de acordo com as necessidades apresentadas pelos seus colegas.

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